Não estamos em crise

Portugal é um país de estacas, onde se pode “destacar” inúmeras coisas (ba dum tsss!). Eu destaco a sua versatilidade na confecção de ditados, não daqueles que nos treinam para ouvir os relatos dos jogos de futebol na rádio, mas daqueles, que em breves palavras, sintetizam uns “Lusíadas”. Desde que a minha mãe interveio eletricamente em mim, oiço ditados. Aliás, a primeira frase que ouvi foi um ditado (pelo menos no meu ingénuo entender). Algo do género: “Quem anda à chuva, molha-se”, já que chovia torrencialmente naquele dia (se bem que isto nem deveria ser considerado um ditado, pois está cheio de lacunas (ex.: posso andar com um guarda-chuva e não me molhar) e não tem nada de sábio (o facto da água da chuva molhar é apenas umas das suas características físico-químicas)). Para além disso, todos nós nos lembramos das lições que os ditados nos deram na infância. Aquelas palavras ajudavam-nos a “continuar” o que estávamos a fazer, como uma pequena pausa de motivação.

Quero com isto realçar a importância que damos aos ditados ao longo deste pedaço de terra ex-Pangeia, e concluir que Portugal não está em crise. Não. Portugal apenas está a “ver-se grego”. A “ver-se grego” em quê? Em diversas coisas. Se não há dinheiro, emprego e afins, é porque Portugal decidiu seguir a máxima de um velho ditado. Portanto, não é preciso qualquer preocupação, está tudo bem com Portugal, a crise é como o regalo da traição, algo “das nossas cabeças”. Isto é mais ou menos (mais para o mais) como uma moda, há-de passar. É só perguntar a alguém ligado (verdadeiramente, não telefonicamente) ao Mundo da Moda, se os ditados irão estar presentes nas próximas tendências. Se não estiverem, é regressar ao velho estilo de vida, já que “não há duas sem três”.

Anúncios